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Quem foi Gilberto de Freitas?

 

“Me sentirei muito feliz quando daqui a alguns anos alguém olhar esta placa e perguntar quem foi este Gilberto de Freitas, e que alguém possa dizer: ele está aqui porque foi um homem que muito nos amou.”                                                                                                                   

                                                                                                             Prof. Gilberto de Freitas

 

             Se você quer conhecer o professor Gilberto de Freitas, não bata à porta dos arrogantes e poderosos: lá ele não será encontrado! Mas, se procurarmos em uma casa de madeira perdida no cerrado do Ribeirão Mestre D’armas, após atravessar a estrada de terra que começa em uma porteira sempre aberta, encontraremos nosso patrono entretido em propagar uma espécie rara de planta do cerrado, ou inventando uma nova formulação secreta de um superadubo. Uma coisa é certa: em quaisquer circunstâncias seremos recebidos com o mesmo sorriso feliz de boas vindas. Não poderemos perder a oportunidade do passeio pela natureza para testemunhar a intimidade com que o professor Gilberto trata as suas plantas, desde as plantinhas dos vasos até as grandes árvores são tratadas carinhosamente pelo nome e sobrenome. Todas têm uma história, suas preferências são respeitadas, suas almas conhecidas. O clímax é alcançado na enorme estufa planejada, calculada, desenhada, construída pelo professor Gilberto e dotada de um eficientíssimo e revolucionariamente simples sistema de umidificação baseado na microfragmentação de gotas por impactação, também criação e construção de nosso patrono.

           Neste ambiente privilegiado de tantos atrativos ambientais, é improvável que a conversa não se acabe desviando para as outras paixões do anfitrião: a Imunologia, o ensino, a Universidade e os alunos. Afinal, não podemos esquecer o passado do professor Gilberto: Pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz e do Instituto de Biofísica da UFRJ, Primeiro Professor de Imunologia Médica. Seu idealismo, seriedade e espírito de luta o levaram a ocupar quase todos os postos relevantes da Universidade de Brasília, principalmente os mais espinhosos. Nos piores anos da ditadura militar, liderando uma comissão de Relações Universitárias, desafiou a ira dos donos do poder, vasculhando delegacias e prisões militares para resgatar estudantes presos como subversivos. Vem desta época seu conhecimento do estudante Honestino Guimarães (DCE), e de tantos outros.

 

            Sua coragem e dedicação ao ensino e aos seus alunos, e sua invulgar capacidade de incomodar os poderosos, transformaram o professor Gilberto de Freitas em alvo de variados sentimentos: do rancor do tirano que dominou a UnB por anos, ao amor e carinho da legião de discípulos formados durante os seus quarenta anos de magistério. Este reconhecimento e admiração têm sido expressos por meio das maiores homenagens que o professor pode aspirar:

  • 1984 - É outorgado-lhe pelos estudantes e professores da Faculdade de Ciências da Saúde o título de Educador Emérito; dois anos depois o Centro Acadêmico de Medicina recebe o seu nome;

  • 1992 - O Conselho Diretor da Universidade de Brasília lhe Outorga o título de Professor Emérito;

  • 1999 - Recebeu o título de cidadão honorário de Brasília.

            Realizado? Ainda não. O Prof. Gilberto tem ainda muitos planos em fermentação. Enquanto isso, mantém a sua vinculação indissolúvel com a Imunologia através da participação em bancas examinadoras de teses e aulas inaugurais e continua, assim, exercendo a sua missão maior de Educador. Ele acredita, como já fazia Sidharta Gautama, o Buda, há 2500 anos atrás, que “a ignorância é o mal supremo do qual advém todo o sofrimento e miséria humana” e que a educação é o instrumento mais poderoso para a libertação do homem. Vale a pena conhecer o nosso patrono e dele absorver inesquecíveis lições de vida.​

 

Prof. Carlos Eduardo Tosta

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